Campanha é considerada como a primeira e, portanto, a mais antiga povoação do Sul de Minas, mais do que isso, Campanha foi o núcleo que deu origem a centenas de localidades que hoje formam esta importante região. Contam-se mais de 150 cidades constituídas no que foi o primitivo território campanhense.

Origens Lendárias

Em fins do século XIX, um memorialista campanhense transcreveu um interessante relato, segundo o qual, por volta de 1710 ou 1720, não há precisão de datas, dois fugitivos da cadeia de Ouro Preto teriam chegado onde hoje esta situada a cidade de Campanha, sendo então, acolhidos por dois negros, moradores de um quilombo.

“... estes pretos tinham o seu pequeno estabelecimento rural, do qual e de alguma criação de porcos tiravam subsistência...
Tomaram então os fugitivos a deliberação de viverem com os quilombolas... deu-se então um conflito, do qual saíram vitoriosos os brancos sucumbindo os pretos, ficando portanto os dois fugitivos proprietários da cabana e mais pertences.
Assim isolados sentiram a necessidade de comunicações, e neste intuito trataram de explorar os arredores... foram por picada até encontrar um fazenda estabelecida na margem esquerda do Rio Verde.... casaram-se com filhas do tal fazendeiro, o qual a convite de seus genros foi estabelecer-se no quilombo, talvez levado pela abundância de ouro que prometia o terreno...São estes os primeiros habitantes do lugar onde é hoje a cidade da Campanha, que rapidamente povoou-se pela afluência de mineiros quer da capitania de Minas, quer da de São Paulo.” (Ferreira de Rezende, Minhas Recordações, p.42)

Fundação

O período entre 1711 e 1750 é considerado pelos historiadores como a fase de organização administrativa e do estabelecimento das primeiras municipalidades mineiras. Em 1710 ocorreu a criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro e em 1720 efetivou-se o desmembramento com a criação da Capitania de Minas. Todo o território que eqüivale hoje ao Sul de Minas foi incorporado à Comarca do Rio das Mortes, com sede em São João del Rey. Entretanto, a indefinição de limites precisos entre as duas capitanias gerou inúmeros conflitos entre São Paulo e Minas ao longo de muitos anos. Foi neste contexto que em 02/10/1737 o ouvidor de São João del Rey, Cipriano José da Rocha, acompanhado por forças militares chegou à localidade, encontrando já instalada uma numerosa população. Cipriano José da Rocha em correspondência oficial, assim se expressa:

“Fundei um Arraial em forma de Villa, a que se deu o nome de São Cypriano, que está povoado com praça e ruas em bôa ordem e muito bôas casas; e ficava-se entendendo em fazer Egreja”. “Tem o dito arraial a commodidade de quatro rios... são Palmella, Lambary, Sapucay (que eu descobri) e o Rio Verde que leva ouro em conta...” “Foram quasi sete mil negros a que se repartiram terras”.

Campanha foi elevada a freguesia em 06/02/1752, à vila em 20/10/1798 e à cidade 09/03/1840.
No percurso de sua história, inúmeros vultos de projeção nacional ou internacional tiveram sua trajetória ligada à Campanha, como por exemplo o poeta e inconfidente Alvarenga Peixoto e sua esposa Bárbara Eliodora ou ainda o jornalista fluminense Evaristo da Veiga. Muitos são os casos do cientista Vital Brazil e da embaixatriz e escultora surrealista Maria Martins, são filhos da terra. Viveram também em Campanha os escritores Euclides da Cunha, Manoel Bandeira e Sílvio Romero.

Imprensa

Campanha foi uma das primeiras localidades brasileiras a possuir imprensa, durante o século XIX jornais campanhenses projetaram-se em nível nacional. Destacamos o “Monitor Sul Mineiro”, monarquista e conservador, “O Colombo”, ligado as causas abolicionistas e republicana ou ainda “O Sexo Feminino”, um dos primeiros veículos da imprensa a divulgar causas feministas. Em Campanha foi também editada e escrita em 1879 a “Enciclopédia Popular”, primeira no Brasi.

Tradição Educacional

A cidade de Campanha possui uma vasta e reconhecida tradição no campo educacional. Gerações de sul-mineiros e também de pessoas vindas de todas as partes do Brasil passaram pelos bancos escolares campanhenses. Tem-se notícias de que por volta de 1745, Frei Melchior de Santo Antônio teria sido o primeiro professor a instalar-se na localidade. Em 1823 a Câmara Municipal da então Vila da Campanha da Princesa dirigiu uma representação ao Imperador Dom Pedro I, solicitando a criação de uma universidade no país. Campanha foi a única cidade mineira além de Ouro Preto a possuir uma Escola Normal (1877). Em fins do século XIX funcionou também uma escola seguindo o modelo norte americano dirigida pelo gramático e ministro presbiteriano Eduardo Carlos Pereira. Entre 1898 e 1914 a cidade abrigou um noviciado dos padres jesuítas. Nesse importante estabelecimento de ensino estudaram três grandes expressões da cultura brasileira: o Pe. Augusto Magne, eminente lingüista, escritor e latinista; o Pe. Leonel Franca, grande educador, fundador e diretor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e também o sociólogo e professor Fernando Azevedo, ex-reitor da Universidade de São Paulo, considerado como o grande renovador do ensino no Brasil. Campanha abrigou também o renomado Colégio Nossa Senhora de Sion (1904 – 1965), internato e externato para moças, e o Ginásio Diocesano São João, fundado em 1910 e por muitos anos dirigido por canadenses da Congregação de Irmãos do Sagrado Coração de Jesus. Funciona ainda hoje o tradicional Seminário Nossa Senhora das Dores, recentemente restaurado e reequipado.

Dados Geográficos

Localizada a 900m de altitude a cidade é servida pelas BR381 – Rodovia Fernão Dias e BR267 – Rodovia Vital Brazil, dista de Belo Horizonte 316 km, 350 km do Rio de Janeiro e 295 km de São Paulo. O município ocupa uma área de 327 km², a temperatura média é de 21ºC. A população é de cerca de 15.000 habitantes.

Economia

A cidade possui uma economia bastante diversificada, a agropecuária e a avicultura possuem um peso significativo, destacam-se as produções de laranja, café, milho e batata. O município conta com 97 indústrias nos ramos de: metalurgia, laticínios, artefatos de madeira, postes e na área eletrônica. É conhecida a qualidade das ferramentas exportadas pelo município, fabricam-se também computadores. Digno de nota é o artesanato local, rico e variado, com uma excelente produção de tapetes em teares manuais, arte sacra, móveis e objetos em madeira.

Monumentos

Catedral de Santo Antônio – Construção iniciada em 1787 e sagrada em 1822 a Catedral é uma imponente igreja, construção monumental, talvez a maior do Brasil em sua época foi feita toda em taipa de pilão. Ao longo do século XX recebeu diversas alterações que modificarão seu estilo arquitetônico. Em seu interior há uma bem dosada mistura de estilos em que mesclam características do barroco tardio e do início do rococó. Externamente apresenta uma fachada em estilo eclético.

Igreja Nossa Senhora das Dores – Construída pelo minerador português José de Jesus Teixeira, em 1799, anexa à sua residência. No século XIX foi construída sua torre.

 

 

Museu Casa de Vital Brazil – Foi neste local que nasceu o grande cientista brasileiro, criador dos institutos Butantã e Vital Brazil e descobridor do soro antiofídico. A casa de paredes de pau-a-pique foi totalmente restaurada e guarda objetos relacionados à vida do grande cientista. Museu Regional do Sul de Minas – Prédio imponente construído por volta de 1800 pelo político e cônego Antônio Felipe Lopes de Araújo, possui relevância histórica. Em 1868 nele se hospedaram o Conde D'Eu e a Princesa Isabel, posteriormente serviu de sede para o noviciado dos padres jesuitas e a partir de 1910 nele funcionou o Ginásio Diocesano de São João. O museu possui um acervo de duas mil peças, uma rica exposição permanente, Sala de Arte Sacra, Sala de História Natural e recebe exposições itinerantes. Casa de Bárbara Eliodora – Construção do século XVII, pertenceu a Matias de Vilhena, cunhado de Bárbara Eliodora. Diz a tradição que nesta casa ela residiu com os quatro filhos quando seu marido foi par ao exílio na África. Casa de Padre Victor – Construção colonial localizada na rua Saturnino de Oliveira, pertenceu à madrinha do sacerdote Francisco de Paula Victor, considerado exemplo de santidade e virtude.

 




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