Orientadora:
Patrícia Vargas Lopes de Araújo — Professora,
Mestre em História pela UFMG, Doutoranda em História/UNICAMP,
Diretora Acadêmica da UEMG – Campus de Campanha.
Bolsistas de Iniciação Científica:
Flávia Miranda Lemes — Departamento de Ciências
Humanas e História (PIBIC/UEMG/FAPEMIG)
Francislei Lima da Silva — Departamento de Ciências Humanas
e História(PAPq/UEMG)
Área FAPEMIG:
História
1. INTRODUÇÃO
“A cidade tem uma história”, diz o sociólogo Henry Lefebvre, no livro “O direito à cidade” (1969:68). Ela “é uma obra de história, isto é, de pessoas e de grupos bem determinados que realizam essa obra nas condições históricas”. Está dessa maneira associada à arte, e não é simplesmente um produto material. A cidade, e conseqüentemente as relações sociais e as práticas culturais que nela se constituem, é resultado de uma “produção e reprodução de seres humanos por serem humanos, mas do que uma produção de objetos”.
O que chamamos de cidade é então uma construção, isto é, uma realização humana. Criação que se constitui no devir histórico e que, pouco a pouco, ganha materialização concreta, em resposta a certas determinações históricas específicas. A sua artificialidade, contudo, torna-a sempre uma paisagem em construção, pois a ação do tempo e da história impõe uma constante mudança. Cidade e sociedade sempre mantiveram relações em conjunto, seja em relação à sua composição, seja em relação a seu funcionamento e seus elementos constituintes. Logo quando a sociedade se transforma a cidade que lhe é subjacente também passa por mudanças. A sua identidade é produzida tanto a partir das construções que permanecem no tempo (que lhe garantem um caráter de monumentalidade), quanto também pelas decisões sobre a organização do espaço que são tomadas.
No Brasil, sob grande influência da Europa, em fins do século XIX, três pontos mobilizavam as preocupações dos políticos e interventores da cidade: a remodelação, o saneamento e o embelezamento. Tais preocupações podem se ligar a uma noção mais abrangente: a de melhoramentos. Esta seria uma concepção urbanística importante no século XIX e início do XX, podendo se inscrever em uma tradição do pitoresco, que se desenvolveu na Inglaterra nos séculos XVIII e XIX, definindo uma relação com a paisagem; e mais, construiu um conceito de paisagem. Por outro lado, a idéia de melhoramentos poderia ser compreendida então como uma “metáfora”, pois articularia “um sentido a uma representação, ou a uma realização mental sob a forma de imagem”. Liga-se a uma diversidade de situações, que por sua vez seriam “portadoras de benefícios à cidade e à sua população”. Constituindo-se como uma imagem tanto pode comportar uma força explicativa (ou racional), quanto uma forma persuasiva (ou emocional). Parte importante estaria, portanto, relacionada à capacidade de criação de imagens, sejam elas verbais ou icônicas. Colocando tais questões em debate é possível compreender e visualizar a maneira pela qual se constituía uma representação de cidade que englobava tanto uma perspectiva de intervenção sob o espaço físico da cidade quanto a idealização do habitante dessa cidade.
Esse projeto de pesquisa tem como finalidade discutir, analisar e verificar as intervenções e as mudanças ocorridas na forma urbana nas cidades de Campanha e Lambari em final do século XIX e início do século XX, procurando percebê-las como respostas às preocupações, aos valores, as normas e as novas linguagens urbanísticas difundidas no Brasil nesse período e que transformariam e remodelariam a paisagem urbana das duas cidades. A escolha das duas cidades é motivada pelo fato de representarem, de maneira bastante significativa, o processo de remodelação de sua malha urbana nesse momento de suas histórias. Além disso, a escolha é feita também a partir da constatação da necessidade de se efetuarem mais estudos sobre a região sul mineira, com particular atenção para as discussões que se voltam para as reflexões sobre a história da cidade e do urbanismo.
2. OBJETIVOS
3. METODOLOGIA
